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Novembro Negro 2026: Celebração na Concha Acústica reúne arte, ancestralidade e homenagem a Antônio Pitanga

Ao som dos tambores da Orquestra Afrosinfônica, a Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, recebeu nesta quinta-feira (5), o Ato de Cel...

06/11/2026 00h38
Por: Redação Fonte: Secom Bahia
Foto: Naiade Bianchi/GOVBA
Foto: Naiade Bianchi/GOVBA

Ao som dos tambores da Orquestra Afrosinfônica, a Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, recebeu nesta quinta-feira (5), o Ato de Celebração do Novembro Negro 2026. Promovido pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), o evento reuniu arte, memória e compromisso social no lançamento da programação que exalta a valorização da cultura afro-brasileira e o fortalecimento das políticas públicas de promoção da igualdade racial.  

O concerto "Revolta Malê", sob a regência do maestro Ubiratan Marques, foi uma homenagem à trajetória e ao legado do artista Antônio Pitanga, que destacou a importância do respeito às mulheres e agradeceu o ato de celebração, “Eu nasci no Pelourinho e isso tem um significado. Antes, lá não tinha nada. Mas, tinha cultura. É essa cultura ancestral que nos mantém de pé”, disse emocionado.

A dimensão estética e histórica da apresentação foi ressaltada pela diretora do espetáculo, Day Sena, que apontou o palco como espaço de disputa de narrativa e resgate da memória coletiva. “Para mim é uma honra ter recebido esse convite e confiança da Sepromi, alinhavando toda essa costura que a gente fez”, afirmou a diretora.

Em sua 19⁰ edição, o Novembro Negro 2026 tem como tema ‘Povo Negro em Movimento’. Temos aqui representações de comunidades quilombolas, da Região Metropolitana, do Recôncavo, os povos de terreiro, artistas negros que vêm se inspirando nessa trajetória de Antônio Pitanga. Com os ativismos da forma mais plural possível: mulheres negras, juventude negra, as crianças que têm escrito uma literatura negra e que têm chegado em diversos lugares. Estamos felizes de dar essa largada com uma ação tão potente”, afirmou a titular da Sepromi, Ângela Guimarães.

Encontro de gerações negras

As participações de artistas como Mariene de Castro, Malê DeBalê, Lincoln Tornado, Toni Tornado, Graça Onasilê, Melly e Bando de Teatro Olodum revelaram também um sentimento coletivo de pertencimento. Na plateia, a atmosfera era marcada por emoção de diferentes gerações, com a integração entre a música sinfônica e os ritmos ancestrais. “Cheguei na abertura dos portões e garanti meu lugar na frente. Tenho 72 anos e para mim a idade não é um limite. E muito feliz pelo homenageado, Antônio Pitanga, um homem negro artista e ativista”, celebrou, Edmeia Coelho, artesã.

Aos 14 anos, pela primeira vez na Concha Acústica do TCA, Maria Eduarda Castro foi com as turmas do 8⁰ e 9⁰ ano, do Colégio Estadual Marquês de Maricá, localizada no bairro do Pau Miúdo. “Estou muito animada porque é arte, eu amo arte. A Revolta dos Malês é um momento importante, que fez parte da história do Brasil. Eu fiz uma peça no passado sobre isso junto com amigos meus e estou aprendendo mais”, contou a adolescente.  

O evento foi aberto ao público, com os ingressos gratuitos e a doação de 1 kg de alimento não perecível, direcionado para o projeto Bahia sem Fome.

Programação ampla

O Novembro Negro 2026 chega com uma programação ampla e integrada por todo o estado, unindo celebração, conscientização e ação política. O Festival Afrofuturismo 2026, no Pelourinho, de 19 a 21 de novembro, e o Festival Movaê – Empreendedorismo Negro, Inovação, Cultura e Economia Criativa, nos dias 21 e 22 de novembro, conectam inovação e ancestralidade.

Durante a Micareta de Feira de Santana, entre 19 e 22 de novembro, terão ações diretas de conscientização, combate ao racismo e atendimento presencial. Além disso, a mobilização territorial e quilombola ganha destaque em municípios como Cachoeira, Inhambupe, Taperoá e Simões Filho, reafirmando a preservação dos saberes e das identidades ancestrais dessas comunidades.

No dia 20 de novembro, data em que se celebra o Dia Nacional da Consciência Negra, as ruas se enchem de axé e resistência com as tradicionais marchas e caminhadas históricas: a 18ª Lavagem da Estátua de Zumbi, a 47ª Marcha Zumbi e Dandara e a 23ª Caminhada da Liberdade.

Para encerrar este mês, o diálogo deve ser ampliado para o cenário internacional. Nos dias 26 e 27 de novembro, com a realização do Seminário do Movimento Internacional Contra o Racismo e por Reparação, culminando no Concerto Internacional Contra o Racismo e por Reparação, no Farol da Barra, no dia 28 de novembro.

Repórter: Dandara Amorim/GOVBA

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