Com o registro de nove toneladas de eletrodomésticos e eletrônicos coletados no decorrer dos últimos dois anos, o Condomínio Busca Vida (CBV), localizado no litoral norte da Bahia, em Camaçari, assumiu, agora em novembro, a primeira colocação entre os condomínios e associações da Região Metropolitana de Salvador em quantidade de itens coletados e doados para os alunos do Projeto Socioambiental Ilhas.
De acordo com o síndico Marcelo Dourado, vale lembrar, neste contexto, a importância dos ecopontos situados em diversos subcondomínios, como Buscaville, Mafeking, Vida Marina, e também na própria administração do CBV, bem com o esforço coletivo dos condôminos. “Esses locais são estratégicos para os moradores fazerem o descarte responsável do lixo eletrônico, protegendo o meio ambiente e também a saúde dos homens e dos animais”, explica. De acordo com ele, o Condomínio Busca Vida vem buscando possíveis soluções para evitar este tipo de poluição, através de ações mais contundentes de conscientização das pessoas e da prática mais incisiva da reciclagem.
A administração do CBV explica que, apesar do sucesso dessas experiências, o processo de conscientização é longo, mas que será importante a longo prazo. "É preciso incentivar cada vez mais a coleta seletiva com ações simples e sustentáveis, visando trazer benefícios permanentes para todos os moradores e a comunidade do entorno”, explica ele. “Infelizmente ainda não há adesão total e, em função disso, estamos trabalhando com frequentes campanhas de conscientização, pois a falta de educação doméstica e até mesmo de cuidados com a higienização e com a segurança de quem vai entrar em contato com os resíduos não acontece”, explica Marcelo Dourado.
Experiências inovadoras
No Vida Marina, com 50 moradias e cerca de 200 moradores, foram instalados há dois anos quatro contêineres para separar metal e alumínio; papel e papelão; vidro; e plástico pet e injetado. O material é destinado à Coopmark, uma cooperativa de Camaçari que tem licença para recolher os resíduos a cada 15 dias e fazer a triagem. No Vida Marina, a média coletada de resíduos por mês é de 500 kg, o que dá cerca de 10 kg de material reciclado mensalmente por moradia.
Outra experiência de coleta seletiva acontece há bastante tempo no Buscaville, o maior subcondomínio do CBV com suas 365 unidades e cerca de 1280 moradores, e era realizada em colaboração com uma cooperativa de Lauro de Freitas. O movimento ganhou ainda mais impulso com o estabelecimento de importantes parcerias e novas estratégias de atuação construídas nos últimos dois anos. Como forma de incentivo, além dos vários pontos de recolhimento distribuídos pelo Buscaville, a gestão implantou uma busca ativa direta da coleta seletiva na residência dos próprios condôminos, o que vem aumentando a participação. Entre as parcerias, destaca-se o Vale Luz, um projeto da Neoenergia Coelba, que prevê diversos benefícios, como a troca de resíduos sólidos por descontos na conta de energia, a partir do peso recolhido. O volume é mensurado e é então emitida uma nota fiscal como referência, que serve para fazer um desconto na energia elétrica e que servirá para implantar fontes de energia limpa, com a aquisição de painéis solares. Parte do material, como lixo eletrônico e eletrodomésticos, é direcionada trimestralmente à ONG Projeto Ilhas, que encaminha os resíduos a comunidades carentes como forma de estimular o aprendizado e a capacitação profissional. Há também uma parceria com um movimento social chamado Tampet e que utiliza certos materiais plásticos, como tampinhas e lacres, para atendimento e castração de animais de rua.
O problema do descarte do lixo
O Brasil é o quarto país que mais produz lixo no mundo, ficando atrás somente dos Estados Unidos, da China e da Índia, segundo dados do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). De acordo com o órgão, somente no país são 11,35 milhões de toneladas de resíduos produzidos por ano, sendo o plástico um dos elementos que mais se destacam no descarte.