A experiência desenvolvida no Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio (HMIJS), em Ilhéus, para promover a amamentação em um ambiente acolhedor e livre de estresse será apresentada nesta sexta-feira (9) e sábado (10), durante o 1º Congresso Internacional Mame Bem, realizado no Porto, em Portugal. A iniciativa utiliza uma intervenção não farmacológica e de baixo custo, por meio de um espaço voltado ao cuidado, à promoção da vida e ao fortalecimento do vínculo entre mãe e bebê. O evento tem como propósito “mudar o mundo pela amamentação”.
O case de sucesso, considerado por especialistas europeus como “impactante e inovador pelas características que apresenta”, terá como representantes as idealizadoras do projeto Bosque do Aleitamento Materno, do HMIJS, as enfermeiras Viviane Barreto e Bárbara Kruschewsky, que atuam na unidade hospitalar. “Este projeto não é apenas uma questão de conforto, mas, sobretudo, um fator biológico determinante para o sucesso do aleitamento e para o bem-estar da puérpera e do recém-nascido”, afirma Viviane.
Ambiência acolhedora
Uma sala do HMIJS foi especialmente planejada e preparada com painéis visuais que remetem a uma ambiência de bosque. No local, foram instalados difusores aromáticos, iluminação adequada, recursos de musicoterapia e materiais educativos, que passarão a ser distribuídos entre as pacientes. O ambiente representa um convite à ecologia do cuidado, onde cada gesto de amamentar é reconhecido como um ato de amor, proteção e promoção da saúde. A iniciativa beneficia a Unidade Canguru, o Alojamento Conjunto e, parcialmente, a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN).
O projeto é resultado de um amplo campo de pesquisa, estimulando a produção e a valorização de dados e experiências que contribuam para o avanço científico e o fortalecimento das práticas assistenciais. Por meio de orientações qualificadas, acolhimento e incentivo às mães e famílias, o bosque busca fortalecer uma rede de solidariedade que salva vidas, especialmente de recém-nascidos prematuros e de baixo peso.
De acordo com as idealizadoras, o Bosque do Aleitamento Materno demonstrou que intervenções planejadas na ambiência hospitalar transformam a experiência da internação, fortalecendo a humanização do cuidado e o protagonismo materno. A integração entre elementos naturais e estímulos olfativos potencializou os resultados clínicos observados. O modelo apresenta alta capacidade de replicação e baixo custo operacional, consolidando-se como uma ferramenta de gestão assistencial que alia evidências científicas da neurobiologia ao conforto ambiental e à dignidade das famílias em unidades neonatais.
Com a iniciativa, as idealizadoras esperam reduzir quadros de ansiedade materna, ampliar a capacidade de ejeção láctea, elevar a satisfação das mães e estimular a adesão a práticas culturalmente inclusivas. Destaca-se que o HMIJS é o único hospital da Bahia habilitado para atender povos indígenas, que historicamente compreendem o cuidado com a vida de forma integrada à natureza. O projeto, além de integrar estímulos sensoriais a práticas naturalistas, prevê o monitoramento sistemático de indicadores clínicos e psicossociais.
Unidade da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) administrada pela Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS), o Hospital Materno-Infantil é a única maternidade 100% SUS da região. A unidade possui porta aberta, leitos de UTI Neonatal, unidade semi-intensiva e Método Canguru, além de uma ala pediátrica com 23 leitos clínicos e 10 leitos de UTI Pediátrica, todos regulados.
Fonte: Ascom/SDE
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